Ensino domiciliar no Brasil: uma visão contrária
- Prof Wilane Canuto
- 28 de dez. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 10 de abr. de 2023
O ensino domiciliar e sua inadequação à realidade brasileira
O ensino domiciliar é praticado em muitos países, inclusive no Brasil, embora não haja ainda uma regulamentação. Porém, tal tipo de ensino não é adequado para a nossa realidade, visto que custaria caro aos cofres públicos diante da necessidade de fiscalização. Além disso, ficaria mais difícil descobrir casos de violência doméstica contra crianças, já que esse papel é desempenhado pela escola muitas vezes.
Em primeiro lugar, cabe destacar que já é insuficiente a verba destinada à educação nacional, tendo em vista o péssimo resultado brasileiro no exame internacional PISA. Sendo assim, a fiscalização do ensino domiciliar se torna um custo extra que favorece poucos em detrimento de toda uma população. Ademais, o ensino domiciliar também é excludente por causa do alto custo para fiscalizar a qualidade do aprendizado das populações que moram longe dos grandes centros.

Outro aspecto relevante para a inadequação desse tipo de ensino reside no fato de que é a escola o primeiro agente público a detectar casos de violência doméstica contra crianças. Inegavelmente, uma criança que é privada do ambiente escolar não terá a oportunidade de falar sobre abusos domésticos. Para exemplificar, houve um caso na Bahia, uma menina de cinco anos que desenhou os abusos que estava sofrendo de um homem que convivia com ela no ambiente doméstico. Diante disso, a professora entrou em contato com a polícia e o agressor foi preso.
Dessa forma, o ensino domiciliar além de custar verbas públicas que nem estão sobrando, restringe a criança de manifestar-se a terceiros em casos de abusos dentro de casa, ou seja, ela fica desamparada. O investimento na educação deve aumentar e ser direcionado à escola a fim de fortalecê-la como um agente do conhecimento e auxiliar do Estado no combate à violência infantil.
Nota: Essa dissertação foi escrita em maio de 2021. Confira também o texto que traz uma visão favorável a esse tipo de ensino clicando aqui.
Profe Wilane Canuto
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