Um exemplo vale mais que mil sermões - Livros
- Prof Wilane Canuto
- 30 de abr. de 2023
- 3 min de leitura
Claro que o título soa um tanto exagerado, mas não é exagero pensar que os mais novos tendem a copiar o que os mais velhos fazem, seja para o bem ou para o mal. Aquela máxima "faça o que eu digo, não o que eu faço" se relaciona com o título desse artigo.
Ao associar a questão do exemplo com nossa rotina docente, convém ressaltar a importância de ser um porta voz dos conteúdos que ensinamos, não apenas sermos meros "passadores" de conhecimento, mas carregar ele no nosso dia a dia através dos nossos hábitos.
Exemplificando isso, sabe quando a gente fala para o aluno "Leia o livro tal. Pessoal, a leitura é importante."? Contudo, nós professores nunca comentamos qual livro estamos lendo, ou se estamos lendo algum. Sendo assim, como os alunos vão acreditar na importância da leitura se nem nós professores lemos?! Faço aqui uma ressalva, sei que nós vivemos atarefados, sobrecarregados, mal pagos. Mesmo assim, podemos incentivar nossos alunos a lerem algum livro que já lemos no passado, nem que seja na época da faculdade (Espero que você tenha lido algum naquela época! rsrs). É o tal do exemplo que vale mais do que os conselhos que damos a eles.

Uma vez, quando eu estava como professora substituta numa aula de português - era dia de leitura - o aluno veio me mostrar que estava lendo o vídeo da Kéfera - uma atriz/youtuber. E eu lembro de ter comentado "Ah que legal. Você tá gostando?" e ele "Sim. Claro que não é um grande livro, mas é legal.". Vejam, não precisei criticar ou diminuir a atriz como escritora. O próprio aluno reconheceu que aquela era uma leitura simples e olha que ele era do 8º ano, nem do ensino médio ele era.
Ainda sobre livros que são considerados "inferiores" pelos acadêmicos, acredito que ridicularizar um escritor só porque ele não está numa linha clássica ou outra classificação que esse grupinho determinou como bom ou ruim, é uma tremenda falta de visão estratégica por parte dos professores. É nesse momento que meu aluno chega com o livro de um youtuber que eu devo acolhê-lo, me interessar pelo livro, mostrar que a leitura é importante. Será nesse momento que o professor aproveitará e utilizará o gosto por ler de seu aluno para inseri-lo em leituras complexas.
Outra boa forma de introduzir o gosto pela leitura é carregar um livro para a sala de aula. Alunos são curiosos, alguns vão perguntar que livro é aquele e se ele tiver uma capa chamativa, nem se fala. Claro que você não vai escolher a leitura só pela capa, mas pense que uma capa chamativa vai despertar a curiosidade de seus alunos.
Além disso, se interesse também pelos livros dos jovens. Essa é uma estratégia interessante para se aproximar do universo que os alunos vivem. Não adianta falar de Machado de Assis para o aluno se na aula anterior você ridicularizou o youtuber favorito dele. Não é assim que você conquistará leitores, o aluno não vai se interessar pelo que você diz, porque ao criticar o ídolo dele, de certa forma, você também critica ele.
Não é comum que pessoas que se sintam criticadas passem a se interessar pelo o que você fala. Faça um teste na sua vida pessoal e verifique se você costuma seguir conselhos de pessoas que criticam suas atitudes.
Um abraço,
Profe Wilane Canuto.
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